Reflexões sobre Paulista e Argentina
O que eu aprendi saindo de Pau Amarelo e indo para Corrientes na Argentina?
A resposta é SIM! e muito! Quando pré-adolescente, não, mas depois fui entendendo que o Brasil é um país muito influente e poderoso que tem (ou tinha…) uma imagem positiva e forte. Eu cresci na mesma rua e casa desde o meu primeiro aninho de vida e eu adorava Paulista. Sou nascido em Recife e sempre digo que sou de lá pra ser mais fácil pra quem não conhece, mas assim que a pessoa ganha intimidade eu revelo que sou melhor que um Recifense, sou Paulistense – pausa para as risadas de dó- por que essa cidade tem uma energia única, é feita por pessoas prestativas e guerreiras que estão sempre na esperança de um amanhã melhor.
Mas não foi em Paulista que eu aprendi a amar o Brasil, foi em Corrientes na Argentina. Fui para um voluntariado de 6 semanas em uma ONG para crianças carentes onde eu trabalhava em um projeto de artes numa “villa” (Espanhol para “favela”).

Corrientes era uma cidade pequena no nordeste argentino que faz fronteira com o Paraguai, quando cheguei lá me lembro de me dizerem duas coisas: “Corrientes tem Payer (mágica em Guarani)” e “Os portenhos (de Buenos Aires) nos perguntam se sequer usamos pesos, falamos espanhol e se estamos na Argentina”
E eu pude me relacionar com isto, no Brasil, coincidência ou não, o nordeste também é a região escolhida para ser julgada e atacada com xenofobia.
Eu lembro de quando dizia que vinha do Brasil as pessoas em perguntavam: “mas por que você está aqui? Por que você saiu do Brasil, aquele país maravilhoso, pra vir justamente pra Corrientes?” e foi aí que eu me perguntei: “mas como assim o Brasil é bom?” e a ironia desse dia foi aprender com Argentinos que o meu país é ótimo. Eles iam passar férias, eles guardavam economias em reais (bons tempos do dólar R$1.6) e eles admiravam nossa economia e poder no continente, além das praias e paisagens monumentais. Conheci as cataratas do Iguaçú, tríplice fronteira e conheci um taxista nas Minas de Wanda que abastecia com Etanol no Brasil, porque isso só existe lá!

Cataratas do Iguaçú 
Calçada na beira do Rio Paraná 
Rio Paraná
E eu, quando voltei a Paulista eu reparei com o olhar que os argentinos me presentearam, me fez refletir que o valor que não damos ao nosso país, estado e cidade às vezes é injusto. A Injustiça jamais seria com relação ao prefeito, presidente ou quem quer que seja, mas com a enfermeira da UPA da Estrada do Frio, a professora do José Brasileiro Vila nova, o Coletor de lixo, o vizinho que quando dá manga no pé deixa uma sacola (sem nem avisar) no nosso portão. Podemos e devemos reclamar e exigir melhorias enquanto cidadãos mas nunca podemos desvalorizar o poder que o nosso povo tem.
E foi assim que comecei a amar o Brasil, amando o brasileiro. Entendendo através de um Argentino que o mais lindo que podemos valorizar é a nossa cultura, nossa gente e a simplicidade de onde viemos. O poder de uma comunidade transcende a individualidade.
Caio Miguel
